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Entrevista sobre o show do DVD ao Vivo no site da banda, com a Pitty
 Um disco ao vivo muitas vezes vêm por pressão de público/mídia, após grande sucesso nos trabalhos de estúdio, como é seu caso. O quanto esse projeto é por pressão de público e o quanto é por considerar a banda/sua carreira em momento para isso? Pitty - Se fosse para ter cedido a pressões externas, já o teríamos feito há muito tempo. Hoje é muito comum uma banda que nem tem disco já lançar logo um DVD de show. A gente quis esperar, e resolvemos fazer agora para ser um registro desta primeira fase - quatro anos, dois discos. O repertório agora é mais consistente, pode ser calcado somente em músicas nossas e o lance no palco está tão coeso que a gente quis guardar isso em imagens. A galera que curte o som já nos cobra um DVD há tempos também, mas imagino que eles entendam que tudo tem sua hora.
De certa forma, a gravação ao vivo é uma releitura do trabalho. Você encara como uma chance de revisitar e moldar novamente as canções, corrigir algumas coisas? Pitty - Aí é que está: as músicas foram se reinventando por elas mesmas ao longo do tempo, tanto as do primeiro (“Admirável Chip Novo”) quanto as do segundo disco (“Anacrônico”). Na estrada, nos improvisos que surgem, nessa nossa filosofia de não prender a canção e nesse espírito de jam session. Algumas de forma bem sutil, outras, mais explícita. Naturalmente já não as tocamos mais exatamente do jeito que foram gravadas, e esse é mais um dos motivos de se querer fazer esse DVD. As músicas vão se modificando com o tempo, na estrada.
O que muda em uma apresentação com o intuito de gravação? Pitty - Sinceramente, a intenção é não mudar nada. Minha idéia é que essa gravação capte a real do que é o nosso show, que seja verdadeiro, como ele é na estrada. Fora toda a parafernália de equipamentos necessários para este fim, e talvez os ajustes técnicos necessários para isto. De resto, a intenção é mostrar o show de verdade.
O que pode se esperar de surpresas para o show? Pitty - Cara, cada show já uma surpresa em si. Porque a gente gosta dessa coisa camicase de deixar rolar, e se arriscar, e inventar coisas na hora. E o DVD vai ser gravado em um dia só. Ou seja: uma bala na agulha. Até para a gente vai ser tudo meio surpresa. Vai ter um cenário bacana, inspirado na arte do segundo disco e tal.
Pode adiantar o set-list? Pitty - Vão ter músicas do primeiro disco, mas acredito que vai ser mais focado no segundo disco. Estamos em fase de teste das músicas e decidindo ainda, então não dá pra dizer como vai ser o repertório inteiro.
Por que escolheu São Paulo para a gravação? Pitty - Porque foi mais viável em termos de data. Pensamos em fazer no Rio, mas não havia data disponível na época que a gente queria, e também não queríamos esperar demais e deixar a idéia envelhecer. E também eu queria que fosse em um lugar não muito grande, onde as pessoas pudessem ficar perto. Essa foi minha premissa básica: ter as pessoas perto. É importante para a gente resgatar sempre isso, e é de onde a gente veio, tocando perto, olhando no olho, interagindo fisicamente com o público também.
Quais são suas referências para uma gravação ao vivo? Pitty - Vi bastante coisa que ajudou a inspirar, o DVD do Muse (Absolution Tour) é um deles, e tem um do Queens of the Stone Age que é em um teatro (Koko, em Londres), menorzinho, que tem essa vibe também. Em termos de edição, pesquisamos e conversamos bastante com a Joana Mazzuchelli, que vai dirigir; e pinçamos algumas coisas bem legais, com movimento em algumas partes, slow em outras. Luz mais soturna, que é o que a gente usa normalmente.
Você fez shows recentemente no Japão, e não existe experiência possível mais distante (física e culturalmente) da realidade brasileira. Você incorporou aprendizados dessa turnê desde a volta? Pitty - Claro, sempre. É realmente muito diferente, e é ótimo poder passar por isso e aprender. Existe a barreira da língua, e nessas horas é a sonoridade e o poder das coisas não verbais (imagens, clima, energia, sentimento) que conta.
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